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QUINTA

Depois de tantos anos escrevendo nesses cadernos comecei a me perguntar em que tempo verbal devo situar os acontecimentos. Um diário registra os fatos enquanto acontecem, não os recorda nem os organiza narrativamente. Tende à linguagem privada, ao idioleto. Por isso, quando alguém lê um diário encontra bloqueios de existência, sempre no presente, e só a leitura permite reconstruir a história que se desdobra invisível ao longo dos anos. Os diários aspiram ao conto, e nesse sentido estão escritos para serem lidos (ainda que ninguém os leia).

◊ pinçado da ilustríssima, texto de Ricardo Piglia

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